"Existem mil e tantas formas de você ser feliz.
Existem mil e tantos planos que se pode fazer.
Existe tanta coisa pra dizer que não se diz,
E existe só uma pessoa que é capaz de ser você.
Existem mil razões pra não sair do lugar.
Existem mil e tantas formas de você se entregar.
Existem mil e uma noites pra você se perder,
E existe só um jeito de não se arrepender.
Existem horas em que a gente tem que se perguntar,
- Será que estou onde meu coração queria estar.
Tenho um universo pra buscar,
Uma vida inteira pra encontrar,
Minha alma aventureira quer se achar. ”
Plínio Oliveira
"Sem enfeite nenhum" é o título de uma crônica de Adélia Prado. Grande escritora, frequentemente citada por figuras como Drummond e Rubem Alves, Adélia fala sobre o ser mulher: cotidiano, fé, ludicidade, maternidade, amor... Nos seus relatos um equilibrio encantador entre o feminino e o feminista! É essa a idéia deste blog, escrito a pelo menos quatro mãos...
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Hoje
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
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