quinta-feira, 9 de julho de 2009

As flores e os floretes são armas em punho a depender das circunstâncias e necessidades.
Somos uma sequência, muitas vezes injusta, de fatos e supostos acasos, apesar de acreditar piamente que o ACASO não existe. Existem encontros, desencontros e anjos que desesperadamente correm no espaço, para fazer com que nós enxerguemos todos os sinais enviados pelo Criador para que as flores sempre vençam a batalha do dia a dia.
As pétalas e as balas são instrumentos que podem nos cobrir, depende apenas do que somos capazes de fazer brotar em nosso coração, em nossa mente e principalmente em nossas línguas...
A vida faz de nós soldados armados esquecidos das possibilidades de abrir as abotoaduras e voar sem limites por sóis e luas, ou apenas andar despreocupadas com um sorteve em punho, no meu caso a beira mar ou ainda na Av. Paulista em qualquer horario, ou pela rua de casa e abstraída pela beleza das pequenas coisas, notar uma flor azul escondida dentro da fumaça do cotidiano.
A vida, AMÉM, é uma questão de escolhas, só de escolhas.
T.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Caminho, a Verdade e a Vida

A pergunta de porque cá estamos,
não interessa mais
Como não interessa
O que já fizemos, quantos magoamos,
ou quantas flores pisoteamos.
Já basta de lágrimas
de dores, desamores...
Hora essa, de destravarmos janelas,
desatarmos nós.
Nós seres duais, homens e mulheres,
hoje, agora já sem medo, sentimos a luz,
nesse momento aprendemos a amar,
se doar a quem possa interessar.
A serviço.
Não mais caminhos a esmo.
Travestidos de amor ricos de perdão,
caminhamos reto, juntos.
Rumo aos braços abertos
Entregues a Jesus!

Feliz Páscoa

T

sexta-feira, 27 de março de 2009

É assim, às vezes.

Onde, longe
Quando, ontem
Porque agora?
Não sei
Presa em obrigações
Me re-vejo entre lágrimas
vivendo uma procissão de pensamentos
num vulcão de sentimentos
tristes e silenciosos
Resistentes
ao céu, à melancolia, à chuva.
Igual a ontem
As afinidades versus as diferenças
A convivência
Um futuro...
Dificuldades
Que oferecem riscos irrefutáveis
Não permitindo desacertos paralelos
Quantas,
Armas, disfarces, metades...
Distantes
Do real
Do mal
Do que seria de mim
Por mim
Em mim.

T.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Bocas.



Que sabor é esse
á excitar a mente
extenuar o sangue
e nos secar as entranhas?

Essa cor a tingir o dia
Turvar os olhares
e umedecer os lábios?

O cheiro inebriante
que entorpece os sentidos
mas acelera as fantasias
Onde?

Na calada dos becos,
no escuro dos cantos,
Aos mais afoitos, na claridade do dia, na estação...
Sem redenção, intimidações

No prazer que faz escorrer
pelos cantos da boca,
nos gestos das mãos,
na ausência das limitações.

Nos permite ser entregues ao deleite
Perdemos senso, razão e nos isentamos de culpa
Saboreando...

A vida alheia
É sempre um prazer a parte
Pra quem é desprovido de arte.


T.
O conjunto das nossas experiências é que faz de nós o que somos, a soma dos defeitos e sobretudo as qualidades é que nos equaciona como seres humanos, uns mais outros menos, entretanto todos aprendendo, caminhando, buscando sonhos, construindo ilusões, desconstruindo idéias, fundamental para busca de outros amanhãs. Correndo com pés descalços atrás dos desejos mais infímos, das idéias mais descabidas, dos amores mais inusitados.

Assim somos nós, (fica a autorização para quem quiser fazer parte do nós) encantadoras lunáticas, em busca das raízes do próprio coração, do pulsar mais forte das emoções... Nesse vai e vem da vida, nessa busca incessante a gente vai e volta, a gente chora e ri, a gente sobretudo AMA e desses mil amares é que nos construímos e nos jogamos no mundo para ser e fazer FELIZ.

Diferentes nas formas mais muito parecidas na essência: na busca de ser feliz.
Amei algumas pessoas nessa vida, algumas se foram e junto com elas o sentido da relação, outras o amor mudou, brotou em outra árvore.


Hoje, verde e viva, com frutos maduros e de sombra deliciosamente confortável, somos sombra que abraça e acolhe.


T.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O sentido da Vida.

Sim a realidade é dura, entretanto que graça teria se não fosse? Talvez a graça do gozo das noites sem compromisso ou das conversas em vão das mesas de bar (não que não sejam boas) ou ainda o vazio das tardes de domingo em companhia do Faustão. Realmente a vida precisa de um sentido mais amplo, confesso ainda não encontrei, contudo ando na busca.
Uma busca incessante, pouco prática e as vezes cansativa de querer um algo mais, um plus, um up, um, um, um... Davi. Insconscientemente essa talvez seja a minha resposta.
Esse chegou, se instalou e vem crescendo. Noites mal dormidas, algum cansaço, as vezes azia, sono, hormônios que passeiam dentro de mim, sem passaporte, autorização ou qualquer coisa que os legitime, a não ser a própria Natureza, suas explicaçãoes e respostas, nem sempre compreensíveis ou nem tanto assim, a exatidão da resposta, virá...
... impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi, apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi, tranqüilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi, o axé do afoxé Filhos de Gandhi.
Virá...

Tenho fé, ela que me trouxe até aqui. Driblando altos e baixos. Enxugando lágrimas. Trocando os curativos dos machucados de dar murro em ponta de faca. Tranquilizando o sono após chuvas e trovoadas. Abrindo o sol, iluminando todos os amanheceres quanto possíveis da estrada em busca de um sentido à vida.
Vida... Palavra tão pequena e de significado tão imenso.
Crescer doi, já dizia minha mãe, entre outras coisas sábias que mães dizem, estão: que tudo passa, que tudo faz parte, que tudo tem seu tempo... sei lá se nessa ordem, fato é que elas tem razão.
Nós tão maduros e independentes, tão pró ativos e convictos, tão práticos e lógicos, conectados, deixamos de perceber ou perdemos a capacidade de ser frágeis e dependentes, sentimentais e bondosos, crédulos e fieis, de nos deixarmos levar pelas linhas tortas da escrita de Deus, de sobretudo AMAR. Essas ausências é que dificultam nossa breve existência, nos causam dores profundas, remendos no coração e dores nas pernas pela insensatez de corrermos tanto indo para tão longe, buscar o que sempre esteve dentro de nós. Isso é fala de mãe, pelo menos da minha.
Todos os dias há uma novidade: berço para comprar, maternidade para providenciar, faxineira nova à começar, trabalho a continuar, o silêncio de Ronaldo, as meninas, meus pais e toda sorte de coisas intangíveis e inusitadas. To me formando em administradora de crises... Sorte de Lula que administra uma "marolinha".
De pulo em pulo, ainda não to quebrando galho, apesar do peso, remendando talvez... Ah o tal sentido da vida...
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio.


T.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Eleições e Posições.

Escrever é um dos meus grandes prazeres, talvez se escrevesse mais me estressasse menos, andasse menos em duvida e com as idéias mais organizadas.
De um tempo para cá a palavra ORGANIZAÇÃO e PLANEJAMENTO ganharam um peso sem igual em minha vida, vire e mexe pergunto da organização ou do planejamento das coisas e das pessoas, talvez seja o curso que estou fazendo, ver coisas novas oxigenam meu cérebro, abrem meus olhos e me fazem rever a vida.
Às vezes penso ser fruto da idade, a gente vai envelhecendo e automaticamente vai se vendo “como nossos pais”, como já dizia Elis Regina. Tenho medo de cair do pé, igual fruto podre que muitos admiraram a beleza, mas não colhem a tempo. Será que com as idéias acontece isso? Será que as opiniões também entram em queda livre das árvores do mundo? Será que a inflexibilidade ou o orgulho pelas idéias, já atestadas agora ou ao longo dos dias, vão me fazer apodrecer no pé ou pior ainda me espatifar no chão?
Sim, ninguém tem a verdade absoluta, contudo o exercício da observação nos dá condições de prever os acontecimentos, o parar para ouvir, principalmente opiniões adversas, nos permite ter uma idéia real das diversas situações do dia a dia.
Hoje ouvi duas coisas, de pessoas diferentes e em situações completamente diferentes, que me fizeram refletir, vamos a elas:
Meu Pai: “uma rocha não quebra a primeira explosão e sim quando pequenas e continuas explosões atingem sua base, causando sua fragmentação”.
Amigos: “Luis Mott (GGB) não só disse apoiar Leo Krett como se colocou a disposição para assessorá-lo em seu mandato”.
Um diz sobre consequências e outro sobre reavaliação de posições. Confesso, sou péssima quando se trata de recuar, principalmente quando a previsão do tropeço já havia sido cantada para um futuro nem tão longínquo.
To assim, não confusa sobre que posição tomar e sim como fazer, para essa gama de informações não me sufocar, já que os resultados não dependem de "moi" e sim de terceiros, quartos e quintos, referem-se a movimentação de gentes pouco afeitas as transformações, mesmo tendo elas o discurso dos grandes Libertários. .
Cercear opiniões e monitorar pensamentos é algo muito próprio da ilusão de democracia que vivemos pois sim, se o IBOPE dois dias após as eleições municipais admitiu ter errado em informações fundamentais nas pesquisas eleitorais, que dirá mortais vestidos de institucionalidade.
É o fim. Fim do período de guerras, disputas e ânimos exaltados. Chegamos a era das tréguas, longe das bandeiras brancas hasteadas, dos compromissos a serem cumpridos. Essa trégua é o desistir dos guerreiros, é o triste apagar das luzes, não porque a derrota bateu a porta e sim porque não vale a pena se manter nas trincheiras.
Triste. Um luto sem cadáveres. Uma missa sem o padre. Filme sem mocinho, sem beijo na boca e THE END.
São os jogos do poder, sem a emoção da Guerra Fria, já que estamos ou somos do mesmo lado, fragmentados por interesses, veja bem, interesses e não disputas de idéias. Somos as cadeiras que ocupamos e os carimbos que levam nossas iniciais. Nos tornamos meros representantes de umbigos gordos e ouvidos moucos, retrato inverossímil da omissão em tons de rosa, que vem corroendo ternos sóbrios e bem cortados.
Somos o novo gigante do agreste a adentrar os confins do sertão, vigorosos, aptos e corajosos, prontos a cair aos primeiros tiros questionadores sobre os ideais que nos mostrem um norte, esse tão acalentado por quem tombou por um ideal. Se acalmem, quem vem de lá não sabe o que isso significa e quem aqui está não há de explicar.
Estamos em riste, alicerçados na areia prontos à ser levados pelo vento, não onde o sol brilhar mais forte e sim onde o vil metal reluzir com mais discrição e oportunidade.
Pena.
T.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

"Existem mil e tantas formas de você ser feliz.
Existem mil e tantos planos que se pode fazer.
Existe tanta coisa pra dizer que não se diz,
E existe só uma pessoa que é capaz de ser você.
Existem mil razões pra não sair do lugar.

Existem mil e tantas formas de você se entregar.
Existem mil e uma noites pra você se perder,
E existe só um jeito de não se arrepender.
Existem horas em que a gente tem que se perguntar,

- Será que estou onde meu coração queria estar.
Tenho um universo pra buscar,
Uma vida inteira pra encontrar,
Minha alma aventureira quer se achar. ”

Plínio Oliveira

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Hoje

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


Carlos Drummond de Andrade


sexta-feira, 20 de junho de 2008


Tantos são os acontecimentos que pouco é o tempo de me dedicar as letras, engraçado, apesar do prazer que isso me dá, são poucos os momentos que paro para escrever, mesmo cartas que curto escrever, curto mesmo. De acontecimentos, em acontecimentos, chegou o São João a grande febre do Noredeste, Salvador hoje, tá igual a Sampa em dia de feriado, vazia, lembra as cidades do velho oeste, toda poeira. O povo sumiu pros interiores da vida, Amargosa, Ipíau, Lençois, Eunapolis... Da-lhe licor de Jenipapo e forró. Só ouço gente falando:
_ Bom São João.
São João, julho tá aí, + um ano que to aqui. Uma vitória. Golpe de sorte. Perseverança....
A vida é um lugar engraçado, ela tem me levado a tantos lugares, a tantas gentes, a tantas escolhas... Não posso reclamar não, apesar dos tropeços, ganhei mais que perdi, amei mais que me desiludi, Vivi, Vivo, Viva ...
Os fatos vão de casamento a passagem de avião em promoção, passando pela consolidação do emprego e terminando num jantar em casa de amigos na véspera de São João.
Daqui da minha janela olho o céu, vejo verdes e prédios ao fundo, a depender dos hormônios, admiro mais ou menos. No final do dia ao cair da tarde, ele, o céu, fica naquele tom alaranjado que tinta alguma consegue imitar e cai a noite num breu brilhante e profundo que engole a gente de admiração e agradecimento.
Eu agradeço. A vida. A Deus. Ao universo. Sem velas ou mandigas. Simples assim, Obrigada.

"... olha pro ceu meu amor
veja como ele esta lindo.

olha praquele balão multicor
que no céu vai subindo"

T.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Quero começar sem ser piegas, contudo a frase... Foi com alegria que recebi o convite de Carol... Não me sai da cabeça. Engraçado como ainda sou apegada a costumes, frases e crendices. Fui a Festa do Bonfim e como TODO MUNDO, não só amarrei minhas fitinhas nas grades da igreja e fiz meus pedidos como também amarrei uma fitinha vermelha no pulso. Lá se vão meses e nada da fitinha cair, todo dia olho para ela e penso em tirar, no instante seguinte penso: Será? Ela tá toda esgarçada e entre nós, nada, mais ridículo do que esse pedaço desbotado da impressão do que um dia foi uma fita amarrada no pulso. Por que a gente é assim?
Convive com a globalização dos costumes, a banalização das virtudes, a idiotização dos conceitos e ainda assim consegue em situações de perigo ou de stress (mais comum por sinal) rezar o Pai Nosso, pedir um help a São Longuinho e em mês de São João fazer a Trezena de Santo Antônio.
Serão os resquícios deixados por vovó que ainda mantém viva uma réstia de sanidade em cada um de nós? Ou será a necessidade da sobrevivência que nos ajuda a conviver com coisas tão distintas?
Sinceramente não sei, viver as dualidades do mundo modernamente contemporâneo muitas vezes têm sido deveras cansativo, felizes eram as mulheres de outrora, contudo penso que faz parte do amadurecimento das idéias e principalmente dos sentimentos assumir que dentro de nós, ou pelo menos dentro de mim, vivem todas essas mulheres e como mulheres ora em conflito, ora em harmonia, ora em completo desequilíbrio partilha o caminho para ser feliz.
Quando será que a fitinha vai cair?

T.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Com licença poética


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


(Adélia Prado)