"Sem enfeite nenhum" é o título de uma crônica de Adélia Prado. Grande escritora, frequentemente citada por figuras como Drummond e Rubem Alves, Adélia fala sobre o ser mulher: cotidiano, fé, ludicidade, maternidade, amor... Nos seus relatos um equilibrio encantador entre o feminino e o feminista! É essa a idéia deste blog, escrito a pelo menos quatro mãos...
segunda-feira, 23 de julho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
Coragem
Não temo a vida...
Não temo o tempo
Aprendi a criar convicções, baseadas em chão firme.
Não preciso do mundo para ser feliz...
Apenas de um instante prolongado de êxtase
Ensinar é apenas teoria, mas,
mais vale uma lição que o profundo silêncio para uma alma sedenta de inspiração
As profundezas só existem para os que procuram pelo escuro
E o sol sempre brilhará para os que cedo aguardam os primeiros instantes de um novo dia
O frio nunca é tão frio para os que permanecem com o coração aquecido
A dor nunca será tão profunda
para os que já conquistaram a fortaleza da segurança de que tudo na vida passa e só dura o tempo que se deseja
Por tanto ser feliz só depende de mim ...
Los Hermanos - O Vento
Não temo o tempo
Aprendi a criar convicções, baseadas em chão firme.
Não preciso do mundo para ser feliz...
Apenas de um instante prolongado de êxtase
Ensinar é apenas teoria, mas,
mais vale uma lição que o profundo silêncio para uma alma sedenta de inspiração
As profundezas só existem para os que procuram pelo escuro
E o sol sempre brilhará para os que cedo aguardam os primeiros instantes de um novo dia
O frio nunca é tão frio para os que permanecem com o coração aquecido
A dor nunca será tão profunda
para os que já conquistaram a fortaleza da segurança de que tudo na vida passa e só dura o tempo que se deseja
Por tanto ser feliz só depende de mim ...
Los Hermanos - O Vento
Criando asas

E lá foi ele... leve e faceiro, certo de que o mundo cabe dentro da mala... e lá vai ele correndo, senão o avião vai sem ele... de longe vejo a alegria das descobertas... por dentro menos que um grão de mostarda... e ele já foi ao encontro todo o amor que a vida tem reservado pra ele... com todas as peculiaridades da maternidade, entendi que a gente cria os filhos pra eles voarem... o meu é que começou cedo... abri minhas asas e ele simplesmente foi com os olhos brilhando pra ver as crianças, os primos e uma infinidades de corações anciosos pela sua chegada... longe da proteção dos meus braços foi sentir o mundo pelas suas perspectivas e sensibilidade... ta crescendo ele... ainda que esteja triste, ele foi feliz da vida e isso é o mais importante.
A quem interessar possa...
A quem interessar possa: as coisas são o que são... escolhas e consequências apenas resultados, viver com eles faz parte... os fantasmas e as sombras também são a parte desse processo, alimenta-los só nos causa dor e sofrimento, porque no fundo a gente sempre sabe a merda que fez e isso alimenta os fantasmas... o futuro a Deus pertence... até lá vivamos nossas vidas, de forma coerente e sem leviandade... assim todas as coisas terão um outro status e melhor cores mais claras e a leveza que só tem aqueles que levam a vida de coração aberto sem subterfúgios, manipulações e pressões... a quem interessar possa: a insegurança, a dúvida e nesse momento a insônia não me pertencem, porque sei a sinceridade e o amor que guiam e regem meus passos e minhas ações... jamais dividir... eu vivo com a dor e a delícia das minhas escolhas... viva-as também... quem interessar possa Boa Sorte...
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Findou-se Pandora
Os dias têm sido temperados de
lembranças. Uma pitada de bucólica melancolia. Bebo de um gole todas as
variações de saudade. Uma invasão não permitida de horas mais previsíveis.
Tenho ficado entre os sons da madrugada e os ecos de mim mesma. Não sei onde
acaba ou termina minha necessidade de viver o novo e minha dificuldade de deixar
que tudo que já foi, vá.
O café que me leva à Graça... O
sanduiche ao uniforme da PM... Poucas piadas, mas muitas risadas, nicotina e toda
proibição dos romances que já deixaram de ser da adolescência... As taças de
vinho ou suas manchas depois de quebradas... O romântico pedido de casamento... As contrações... Meus
desastres... Alguns atalhos... Retalhos... Coloridos ou em preto em branco... Antes
tudo muito meu... hoje: vãoooooooooooooo... Libertem-me... Abram espaço... Corra
outro mundo... Pulem numa caixa e levem a chave para dentro... Pandora nunca
mais.
Aconteceu passado e presente “tudo ao mesmo tempo agora”... característica
sui generis em minha vida... não tenho vírgulas, sou um processo absolutamente
continuo e urgente... Raro são o tempo das pausas ou intervalos, nesse quesito
contrações são mais brandas...
As escolhas equivocadas deixaram traições...
Pessoas... Entrelinhas... Duvidas... Alguma desconfiança... Ainda que para
alguns tudo esteja no passado, quando os olhos se encontram ou o rádio toca, uma
sombra vaga e leve, como tudo que se constrói em terreno movediço, se agita naquilo que ainda há. Haverá?
Uma descarga de adrenalina se
despejou no universo numa dessas manhãs... Muita água lavou meus olhos e
desmanchou minhas amarras, abriu meus cadeados, libertou asas um dia presas a circunstância
e a tal necessidade de amar e ser amável e ao sentimento de pertencimento ou
reconhecimento ou afastamento ou culpa mesmo... Alimentei a essa ave, de rapina
diga-se, com dedicação, preocupação e orações... Essas serão eternas... “migalhas dormidas do teu pão, pequenas
porções de ilusão...” a quem se dispõe desejo sorte.
A mim desejo ar, muito mar e o
mais importante AMOR raro, verdadeiro, companheiro, leal e não fiel, já tive cães, pra sempre mesmo que acabe
ou demore ou dure só agora.
A mim desejo tempo,crescimento,
esclarecimento, amadurecimento pra desfilar minha leveza, essa, amém, deixou de
me desequilibrar, isso sim é uma grande vitória.
Pra mim desejo toda a vastidão
desse mundo de meu Deus, de mãos dadas a quem quiser vir comigo ou sozinha
mesmo, aprendi que na ausência de todos eu tenho que ser ainda melhor pra
caminhar comigo e as gaivotas.
T.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Domingo
O silêncio invade minha casa, só o sons dos passarinhos do vizinho adentram o ambiente... lá dentro ele dorme o sono dos anjos, calmo e cada dia maior, observo daqui... tempo, ele passa, cura e renova... passada uma semana intensa e interessante... uma nova perspectiva exige um novo olhar e isso significa abandonar gentes e outras perspectivas... dói um pouco, mais é isso, abrir espaço é desocupar, jogar fora... ficar espremendo as coisas, dilata o coração.... ele acordou: Oh mãe vem cá...
T.
T.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Intervalos e brechas.
Há tempo para todas as coisas,
mesmo que ele não nos de tempo para algumas pessoas, para outras ele é vivido com tamanha paixão e
intensidade que mesmo findo não se acabam... pois como o tempo são tão maiores
que nós que se eternizam...
Outras tantas, passam corpo, alma
e pensamento e se fazem a tempo e a hora imperceptíveis, ainda que o tempo ao
nosso lado seja longo...
Hoje entre os prédios e o trânsito, num caminho conhecido pelos anos da rotina, achei uma brecha e nela o
mar... azul, lindo e imenso... numa fenda
dentro da brecha do tempo... um laivo de segundos pra me sentir renovada e
agradecida.
As brechas e o intervalo das
contrações, como contaria *Carol, é o quando a vida aliada ao tempo nos permite
o “para pra acertar”... sei lá há quanto tempo impedi as dores e as lágrimas que
o tempo me permitiu esvaziar.
Foi numa brecha de tempo... numa
conversa de café... que todo um mundo descortinou, a perda de um tempo precioso,
transbordou em culpas e decepções, dum tempo que já se foi e na expectativa de outro
tempo, que no mais profundo de mim deseja a repetição do antigamente...
As últimas semanas foram inexplicáveis,
as perdas irreparáveis e as lições há que serem aprendidas por toda vida.
A intensidade dos dias se diluíram
nos entraves da renovação das horas, mesmo assim, a sensação de que algo late
bem ao fundo das minhas paisagens me alerta de que é necessário aprender a
viver, conviver e amar sem reservas ou regras, sem medos ou receios, sem vacilo
e jamais entre as brechas.
Perdão. Amor. Reconciliação.
Renascimento, afinal é Páscoa.
T.
terça-feira, 13 de março de 2012
Insônia
Um peso cabeça, corpo e coração... por vezes a ansiedade mastiga cada célula que compõe meu corpo e minha alma, saboreando cada pedacinho lenta e cruelmente até me engolir... quando no descanso das minhas fibras, crentes do "aqui jaz" ela me cospe... talvez pra testar minha capacidade de cair de pé... talvez só para me ver voar... talvez pra sentir o gostinho da vitória entre o cair e o levantar... esse processo doí, moí, estilhaça a estrutura óssea e a capacidade emocional de raciocinar, pelo menos para estudar a melhor posição pra um suposto cair ... a vida é um lugar cheio de emoções... na tênue linha que liga o ir e vir das noites sem rivotril vou acordar... dormida e coberta por todo calor e cinza capaz de ser carregada por uma fênix.
T.
sexta-feira, 9 de março de 2012
O tempo...
É impressionante como o tempo passa rápido, parece que era ontem que andava com uma barrigão de fazer inveja... Hoje faz uma semana que meu bebê dorme sem fralda... se passaram 2 anos e 9 meses... Parece que foi ontem, o bico do peito rachado, a primeira sopa de legumes, os primeiros passos... É foi ontem... Agora todo independente ganha o mundo, andando no quintal com a certeza dos 2000 mil anos da humanidade... Já estou vivendo o amanhã... Saudades de quando era ontem...
T.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Homenagem ao Dia da Mulher
Mulheres da minha vida: mãe, irmã, amigas/irmãs, irmãs/amigas, de ontem, de agora, de sempre e para a eternidade, esse é o mês que se fala da nossa força, da nossa luta, das nossas conquistas e principalmente do quanto ainda temos a conquistar. Pensando no que lhes dizer fui me lembrando das muitas mulheres que compõem a história do mundo, sejam elas velhas conhecidas das enciclopédias ou nem tanto, mas nem por isso menos importantes.
Minhas lembranças mais remotas me levaram a Cleópatra que fez da vida política do Egito um lugar para lá de agitado; Sara mulher de Abraão que aos 90 anos, perseverante, deu a luz a Isaque cumprindo a promessa celeste; impossível me esquecer de Ester, de sua beleza e como sua fé aliada a inteligência salvou todo um povo; lembrar de Madalena quem permaneceu ao lado do Cristo, quando todos sumiram amedrontados e foi quem anunciou sua volta quando ressuscitado, quebrando o tabu do preconceito, já imperante desde aquela época e Maria, a grande Mãe, sem maiores considerações sobre crenças ou religiosidade.
Da minha inusitada embarcação vejo ao longe a rainha Elisabeth I que depois da orfandade e prisão fez de seu reinado um período Dourado de crescimento, desenvolvimento e moralidade na corte; Joana D Arcd que misturou senso de justiça e misticismo integrando os exércitos Frances na luta por libertar sua pátria do inimigo; Isabel de Castela que usou o casamento para unificar a Espanha e expandir seus horizontes; Catarina de Medici que apesar de permanecer nas sombras conseguiu autonomia para o governo Frances; Catarina imperatriz Russa, modernizou um país, reformando todos os aspectos políticos e sociais, verdade que elas eram meio sanguinárias, mas qual de nós não rasgou uma camisa ou quebrou uma taça na parede ou coisa muita pior...
Aterrissar no Brasil e ver as nossas mulheres, aquelas que contam a historias de um país continental e ribeirinho, que representam uma nação com mãos firmes e decididas, cultivam nosso solo nas lavouras, garantem a manutenção da nossa religiosidade seja ela qual for, dando assim novos contornos e graça a nossa brasilidade.
Nessa inusitada viajem encontro Maria Quiteria que disfarçada de homem lutou pela nossa independência; Ana Nery que não encabeçou as trincheiras, mas estava lá pra enxugar o sangue e tratar dos ferimentos advindos dela; Anita Garibaldi que corajosamente enfrentou guerras, quatro partos, fuga e exílio sempre ao lado de seu grande amor o guerrilheiro farroupilha Garibalde e claro, Olga Benario; Irmã Dulce no cumprimento do mandamento maior do Mestre “amai-vos uns aos outros” e Mãe Menininha do Gantoi uma das primeiras vozes a defender a liberdade de culto dos terreiros e preservação de uma cultura; Berta Lutz e Nízia Floresta mulheres que por aqui que iniciaram a contestação do papel da mulher na sociedade; Tarcila do Amaral com suas cores, Pagu com sua caneta e Leila Diniz com sua irreverência; Todas as que morreram nos porões da ditadura, as que morreram em vida por filhos e companheiros e as que se matem bem vivas lutando para lhes dar vida.
Ainda sem pressa e cada vez mais orgulhosa da minha condição feminina cumprimento Maria da Penha, dona do nome da Lei que garante nossa Direito de “apitar”, como no movimento criado em Pernambuco pelas mulheres vítimas de violência; Chiquinha Gonzaga, Clara Nunes, Elis Regina, D. Ivone Lara, Zélia Gatai, Cora Coralina, Clarice Lispector, Adélia Prado mulheres que poética e profundamente nos cantam, contam, explicam e reinventam a cada linha; impossível de finalizar essa homenagem, por que são muitas as mulheres que me inspiram, ainda assim, Dilma Rousself é onde os primeiros passos dizem podermos chegar.
Nessa andada pelos personagens femininos da historia do mundo, minha própria historia é composta de mulheres que sozinhas criaram filhos, netos e toda uma família a beira do fogão, fomos defumados pelos temperos da casa de mulheres negras, muita salsa, cebola, alho, pimenta do reino e olhos que sempre me sorriram nos almoços de domingo na tia Ligia, nos sábados na casa da tia Naia, nas historias contadas pela mãe, Márcia, em que me via aos pés da cadeira de rodas de minha avó Jandira e tantas outras maravilhosas figuras que fizeram de mim o que sou hoje: Uma mulher como TODAS vocês em busca de ser feliz integralmente.
Feliz Dia da Mulher.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Como uma luva
Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz.
(Tati Bernardi)
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Chove e não é em Bagdá
Choveu muito hoje por aqui. Toda uma represa guardada a muitas semanas desaguou. Caiu pesada sobre ouvidos amorosos e compreensivos. Soluços entrecortaram relâmpagos e trovoadas, se misturando a sensação única de solidão. Violenta, capaz de desenraizar uma mangueira secular, seguiu arrancando do mais fundo da alma lama, lodo e restos, como se com essa fúria levasse ou lavasse as lembranças, dores e as saudades. As roupas resistiram a sua força, talvez porque elas nada tenham a ver com o cerne da tempestade. Lá pelas tantas sem céu ou sol foi se acalmando e atrás de si deixou um terreno sem nada, que pairava entre pronto e cansado. Sem expectativas, sonhos ou perspectivas caiu a noite. Insistentemente ela continuou com breves intervalos de intensidade, pingando.
Agora espero que o tempo seque, além das roupas, todo entulho que ficou amontoado naquele cantinho, pra quem sabe, colocar fogo em tudo e depois soprar as cinzas pra bem longe ou aos pés do mar.
T.
Chove Sobre Bagda - Adalberto Monteiro
http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=53&id_noticia=3082
Agora espero que o tempo seque, além das roupas, todo entulho que ficou amontoado naquele cantinho, pra quem sabe, colocar fogo em tudo e depois soprar as cinzas pra bem longe ou aos pés do mar.
T.
Chove Sobre Bagda - Adalberto Monteiro
http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=53&id_noticia=3082
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Momento inusitado
Faz sol. Bem verão. Tão longe de casa me encontro, estranhamente percorro ruas e subo escadas, ouço conversas e vivo a intensidade de viver a vida como ela se apresenta.
Avassaladoramente os dias me mastigam, e meu organismo me diz sobre as Benções de Manassés, não sem dor, e da maravilha que é poder olhar um novo dia com olhos de gazela.
Observei a cena distante das emoções que me tomam por dentro.Ela trouxe um pacote de jujuba e refrigerante, ele agradeceu e quase a beijou. Todas sentadas a mesa. Quem vê de longe, nada mais normal do que qualquer comercial de margarina .Outros se juntam a inusitada cena. Elas distraídas por sua fome saboreiam a refeição. Impossível supor o que os olhos, hoje verdes, podem estar vendo ou se o vestido florido percebe as nuances entre o objetivo e o subjetivo ou ainda se o pequeno rabo de cavalo vai se preparar para uma citação bíblica. Permanecer agora. Ter sido ontem. Continuar pra sempre. Ares vitoriosos sopram pelas frestas do quintal, cada uma em sua particularidade exibe um troféu particular.O que realmente importa?
Nota 10 a esse discreto autor que tece de forma simples e casual esses encontros, que envolve nossas vidas num emaranhado de situações tão inexplicáveis quento sua existência. Faltou a cereja do bolo, difícil saber se a ausência fora sentida, a audiência explodiria.
Um copo vazio de sorvete foi o que sobrou, dessas sobras, coisas que nunca saberemos.
"Raspas e restos/Me interessam/Pequenas porções de ilusão/Mentiras sinceras me interessam/Me interessam..." Cazuza.
T.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Presente de Natal
Pesquisando o coração sobre meus
sentimentos e sensações em mais esse dezembro, com suas festas, presentes e
mensagens natalinas, lembrei de “amigo secreto”, shoppings lotados e todas as
convenções que a época exige muitas vezes de nós.
Vasta lista de nomes me passou
pelos olhos e tão vasta quanto, foram as sensações e lembranças que eles me trouxeram,
perdida entre os desejos da época lembrei-me do motivo desse frisson, Jesus e
pensando nele, me dei conta do presente que deveria providenciar.
Desisti das compras. Num
mergulho silencioso, sincero e profundo, dei meia volta pra o mais profundo de
mim e nessa viagem ouvi a sabia voz de Paulo: “Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido
pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa
alma e revesti-vos do homem novo, criado a imagem de Deus, em verdadeira
justiça e santidade”
Meu coração diminuiu-se ao
tamanho de um grão de mostarda mostrando que minha fé e sentimentos tem o mesmo
tamanho, talvez por isso seja tão difícil seguir a receita de Paulo. Me
imaginei um grande vaso de argila barata se esvaziando
lentamente, não sem dor, esforço ou culpa, de todo orgulho, arrogância, impureza, a
paixão, concupiscência, avareza, ira, cólera, malícia, maledicência, das
palavras torpes, da mentira e aos poucos foi meu espírito
desfalecendo até tornar-se um nada.
Condoída desse processo dos males
que nos permitimos interiorizar, desejei ardentemente que meu eu se transformasse
num vaso de alabastro preenchido por Amor e Perdão.
E, assim canetas e abotoaduras de
ouro, travesseiros de penas, perfumes, sapatos de couro, malas de viagem,
bebidas finas, camisas de linho, comidas importadas, matéria supérflua que o tempo iria corroer, perderam o sentido e a importância.
Caminhando pelo impacto dessa
descoberta sobre mim, meu peito se encheu de luz e senti a Centelha Divina
desabrochando dentro do meu coração, assim Jesus se fez presente com os braços abertos, agora longe da cruz e bem perto do
meu desejo de fazer nascer o Homem Novo.
Meu presente pra Jesus nesse Natal será colocar no Altar do
Pai o meu e o seu coração renovados pela sabedoria das palavras de Paulo e da
esperança que sempre haverá sol ao amanhecer.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O Fim
Um pouco +
Tantas coisas poderiam ter
acontecido. Poderia não estar aqui hoje ou se estivesse não seria nessa
situação de “mal estar”, mas isso não vem ao caso, isso é o de menos.
O que seria um pouco mais?
Falar sem reservas do que
colhemos quando fazemos nossas escolhas. É estar certo que o futuro vai chegar,
não sem dores ou feridas, mas com elas e por elas será vitorioso. São as
cicatrizes que contam sobre nossas batalhas, sobretudo das nossas vitorias.
Meu um pouco mais para você é desejar
que seja feliz, assim como eu tenho estado. É saber que as coisas a sua volta
se agregam e não se esfarelam. É sentir seu coração sereno e tranqüilo. É saber
que depois de “lutar suas lutas”, você tem para onde voltar, mesmo sabendo que
nem o Cristo teve onde recostar sua cabeça,( Mt 8:20), mas ele não morreu para que tivéssemos?
É saber que parte sua não é morna Ap 3:15-16.
Me pergunto se não deveria ter
enfrentado essa batalha e assumido esse lugar a seu lado. Seu braço, sua
parceira, a mulher ajudadora, que briga, que cobre sua retaguarda e ao mesmo
tempo permite que você direcione as coisas, que recebe sua sexualidade sem
reservas e participa da vazão dos seus desejos. A brecha da sua vida era essa e
eu não consegui perceber, ou até percebi, mas era imatura demais pra enfrentar com
galhardia essa batalha.
Tirei meu time de campo e permiti
que outra assumisse esse lugar, porque realmente acreditava que seria a melhor
escolha para mim e para você. Hoje quando ouço as pessoas, percebo você e as
fissuras se agravando no seio da sua família, e a clara repulsa do conjunto
humano a sua volta a essa relação que você mantém, me pergunto se não poderia
ter sido diferente se você tivesse se dado algum tempo.
As relações agregam, não separam.
O amor cura e não machuca. A convivência exalta as qualidades e não o
contrário. Crescer é a palavra chave. A alegria do contentamento invade nossa
alma e ainda que tudo seja uma merda, temos prazer e isso transparece em nossos
olhos.
*Adendo 13/12/2001
Repensando nossa conversa de
ontem sobre ser só e estar só, reforço a necessidade da sua reflexão sobre esse
assunto. Porque você esta preenchendo sua necessidade de não estar só, mas será
que você preenche o outro o quanto ele merece ou gostaria ou são dois a viver
de migalhas?
Você vê e mantém aquilo que lhe
convém, o que esta fora do seu alcance de visão é aquilo que se apresenta a uma
platéia que assiste atenta, ao turbilhão de emoções que sente e desfila, a
olhos vistos, dentro do outro.
E Ela sente e como sente. Ciúmes.
Insegurança. Incerteza. Inveja. Desconforto. Vergonha. Irritação. Raiva. Um
amor sufocado na sua intensidade, que você não vê, mas transborda e se derrama
violentamente as suas costas, sobre os outros de forma por vezes vil e confusa,
como compensação daquilo que fica engasgado. Ela reflete a sua confusão
interna. Frágil e imatura emocionalmente acredita que na concordância dos seus
“malfeitos” e no reforço da sua soberba, aposta alto que assim você vira.
“... impávido que nem Muhammed
Ali, virá que eu vi/Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi/Tranqüilo e
infalível como Bruce Lee, virá que eu vi/O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá”
Novos baianos.
Sabemos que sua permanência se
dará, na medida que seu medo do abandono for saciado. Depois certamente virá
outra e outra, porque não é fora que encontramos companhia, é DENTRO.
Dentro do Amor de Deus. Dentro
dos ensinamentos da Palavra que você tão bem conhece, na batalha do Homem Velho
x Homem Novo. Dentro do temor que ainda existe em você. Dentro do compromisso
assumido naquele corredor fétido. Dentro do ministério/trabalho que você
abraçou. Dentro do seu perdão. Dentro do desejo do seu coração, ainda que
nublado pela carne e fuga do espírito.
Do lado de dentro, confuso e só,
como um menino perdido no parque de diversão. Você permanece na infantilidade
dos sentidos em fuga do caminho da reflexão profunda sobre você, suas expectativas
e frustrações. Percorrer esse caminho é se deparara com a própria falência e ter de refazer esse caminho seja se deparar com dores
que você já sentiu.
________________xxxxx______________________xxxxx__________________xxxxx_
Na ausência da minha voz
e na solidão da sua leitura espero que você perceba o respeito e o amadurecimento
do profundo amor que sinto por você, por isso o chamo a razão.
Quero mesmo que você encontre seu
lugar de paz! Oro a Deus que isso aconteça e você consiga enxergar as coisas que são realmente importantes: suas
filhas, seus netos, seu filho e sua família que mesmo estando afastada de você mais
e mais a cada dia, O AMA e mesmo mergulhada nesse aparente silêncio torce, como eu, para
que você retorne daí de onde você se esconde.
Ou vai ver que é isso mesmo que
você quer, viver sua liberdade sem ninguém que lhe traga o ônus, longe das
coisas que você não conseguiu mudar. Você está vivendo uma realidade a parte
das verdades do mundo interior e esteja feliz dessa forma e eu viajando nas
minhas conjecturas, mas isso eu nunca vou saber.
Com carinho
T.
14/12/2011.
Ato 3
O perigo dos desejos
É ele pensei. Ouvi uma voz ao longe.
Nunca havia visto você. Um homem alto, de terno, negro. Viril eu diria, pensei: “Vou levá-lo para minha cama”.
Envergonhei - me. Esse tipo de pensamento não faz parte do meu repertório. Almoçamos,
cumprimos agenda. A caminho do aeroporto um fio de saudade começou a ser tecido
em meu coração.
Uma cólica me nocauteou, só me restava
ir para casa. Deitada acompanhada de chá de camomila e buscopan atendi ao
telefone e uma voz preocupada perguntava o que havia acontecido, o que eu
tinha, se tinha ido ao hospital, eu me reservei o direito de perguntar: Quem é?
Pra minha surpresa era ele, dizendo
que chegaria no outro dia para uma reunião, como aconteceria tantas vezes e que
ele achava importante que eu o acompanhasse. Eu? Anotei o endereço, ao lado de
casa, não me custaria nada e seria num restaurante que eu adoro a comida. A
hora marcada ele chegou, com uma jaqueta do exercito e toda pressa que lhe é
peculiar. Abraçou-me e ali dentro daquela jaqueta verde, fiquei arrebatada. Dia
15 de novembro de 2008.
Um sumiço de final de ano e um
telefonema as 06h00min horas da manhã para dar inicio a uma historia apaixonada
de um homem e uma mulher.
Difícil. Casado, três filhas, um
casamento acabando. A liberdade batendo as portas e o convidativo sol de
Salvador pronto a entregar-lhe as chaves. Como resistir aos encantos e aos
perigos de uma paixão, assim de chofre caindo no seu colo?
Uma brisa cálida a envolver-lhe,
um lugar de paz, o seu lugar de paz. Um coração jovem e apaixonado disposto a
comprar essa fatura vencida e enfrentar o mundo para viver isso, que nem esse
tal coração sabia o que era. Sabia que queria.
Foram telefonemas e emails
trocados. As filhas e a família tudo há seu tempo. Cartão fidelidade da Tam, da
Gol e da novata Webjet. A ex - mulher, a fuga da mudança e o abrigo carinhoso
da tia querida. Assim fomos indo. Fizemos planos. Você arrumou uma casa.
Comprei cada coisinha que minha imaturidade e o centro de Itaboraí permitiram,
panelas, tapete de banheiro, lençóis e toalhas caríssimas, faltou o roupão,
chorei na loja. Você ficaria lindo!
Finalmente você perguntou se eu
queria casar com você. Fiquei estarrecida. Você queria casar comigo! Aquele
homem viril que poderia carregar o mundo com os polegares queria casar comigo?
Sim comigo, lembrei da minha mãe falando que homem nenhum casaria comigo, meu
mau gênio e minha tão alardeada independência, assustaria qualquer um.
Foi num quarto de hotel.
Estávamos deitados, ou melhor, eu estava deitada em cima de você. A pergunta
foi simples: Quer casar comigo? Ainda perguntei: Tem certeza?
Você me beijou. Daí pra frente foi uma loucura só. A casa dos meus pais, a
intensificação dos cartões fidelidade, uma crescente de emoções e distâncias.
Essa maluquice toda foi comigo.
Na verdade nunca soube como você se sentia em relação a tudo isso, apesar dos
meus longos emails sobre tudo, pouco você me respondia e quando estávamos
juntos, nada existia além das grandes janelas do apartamento do Canela.
Fim de ano. Listas de Presente.
Ninguém contava com uma criança. Sim, estava grávida. Você vai ser pai. Como
dantes, em tantas outras coisas, nunca soube o impacto disso em sua vida. Você
parecia feliz. Me chamava de mãe mais linda da Bahia.
Eu queria morrer de desespero.
Como grávida?
Como assim?
Passei um natal em uma tormenta interna. Suas mãos me seguraram e você me
garantiu que ficaria ao meu lado fosse a decisão que eu tomasse. Ano novo
passei de verde e amarelo, mesmo assim passei por outra crise e cai nos braços
da minha família, onde carinhosamente fui reconduzida a sanidade e as
responsabilidades que um aborto me trariam principalmente emocionalmente.
De volta a Salvador, passei os
nove meses, super assistida. Nunca tive um enjôo ou desejo. Minha terapeuta
disse que foi a forma que meu subconsciente encontrou de me proteger da falta
que você fez e como você me fez falta. Fiz um barrigão, como diz lá na
terrinha. Suas visitas sempre carinhosas e preocupadas.
A única vez que me senti
preterida pelo seu silêncio, você me contou a história de Davi. Foi no dia que
soubemos o sexo do bebê e escolhemos seu nome. Davi, escolhido pelo coração de
Deus, onde você emocionado, me pediu para não julgá-lo pelo que vejo, mas
tentar imaginar pelo que você passa e muitas vezes não consegue sentir.
Choramos.
Finalmente as contrações, uns 10
dias antes do previsto. Fui para maternidade você não havia chegado. Davi
nasceu as 23:00 horas, exatamente a hora que seu avião pousou. Falei para minha
mãe, assim que ela me avisou da sua chegada, estava na mesa do centro
cirúrgico: Davi adivinhou, esse viadinho queria chegar junto com o pai.
De azul e com seu melhor sorriso,
você me beijou na testa e feliz pegou seu filho, o varão dos Monteiros no colo.
No outro dia a certidão de nascimento plastificada e com direito a cópia para
avó. O que se segue são as minhas cobranças, as minhas dores, toda falta que
senti de você e 300 reais no armário. Era o inicio do fim, ainda assim, as
malas foram arrumadas, a mudança providenciada e numa conversa a 2 dias antes
de finalmente vir morar com você em São Gonçalo, nossa relação sofreu um abalo
que não teve desculpas ou esparadrapos que pudessem curar a ferida.
Ainda teve a internação de Davi,
meu Deus como sobrevivemos a tudo isso? Minha mãe falou certa vez que eu forcei
a barra para casar com você depois que engravidei. Fiquei ofendida. Ela tinha
razão. Descobri tarde demais.
Eu quis você desesperadamente sem
ter a noção exata do que isso poderia significar sem a proteção das grandes
janelas do apartamento do Canela.
Ainda assim, mesmo sem saber como
foi esse vendaval chamado em sua vida, mesmo sabendo que nunca saberei o que
significou esses três anos para você, vivemos uma grande história e como não
poderia deixar de ser nosso final feliz se chama Davi.
T.
Ato 2
Deixei você
Tudo passou a ser pessoal. Coisas
ínfimas eram uma catástrofe e as catástrofes o fim do mundo. Foi acabando,
definhando, rasgando nossas emoções e nosso vasto vocabulário diminuindo. Houveram
conversas, tentativas, lagrimas e promessas. Perdemos o time. Houveram tardes
de cerveja, risadas, alguns jantares e algumas vezes bêbados outras vezes
empolgados por fatores externos ou apenas pelo tesão de um homem por uma mulher
conhecemos todos os motéis da região.
Tentamos trabalhar juntos, tentamos
ser parceiros, tentamos, mas algo deixou de dar liga, simples assim. Situações,
palavras, emails, investidas e as brechas foram se abrindo no nosso coração e
em nossas vidas.
Esses dias me falaram: Você deixou seu marido para outra!
Respondi: Sim. Depois fiquei pensando
na minha resposta, acredito que as pessoas precisam buscar a sua felicidade e
comigo você não estava feliz, apesar ainda amá-lo com paixão não iria impor a
você minha presença, escolhi deixar pra trás toda minha aposta de ser feliz,
pra que você vivesse sua escolha e fosse feliz. Na minha balança de valores
você era mais importante que eu, talvez pelo seu histórico e sua busca
desenfreada de achar seu lugar de paz. Tem também a falência da minha vontade
quando o assunto são as dificuldades que a vida nos impõe para crescermos.
Você se encantou, ouso a dizer que você se
apaixonou, por uma mulher, na acepção da palavra, e ela se perdeu na dureza de
uma nova realidade completamente adversa. Como falamos lá entre as montanhas do
caminho e ao som de Roberto Carlos, aprendi da pior forma sobre as dificuldades
de crescer, sobre como é complicado ser responsável, como é triste ser sozinho
para dar rumo à própria existência, como éser aquela mulher que você conheceu sem a
farta estrutura do estado, dos amigos e da família.
Vivi uma década em 12 meses, 365 dias,
52.5600 minutos e 31.622.400 segundos. Quando você me perguntou: agora que você percebeu que é difícil?
Nem eu ouvi minha resposta, por que pude sentir o peso da solidão de ser eu sem
máscaras ou perspectivas.
Num dia qualquer no meio da chuva,
estava sob um céu cinza e carregado. Carregado de medos, expectativas,
sobretudo, medo. A cada passo do caminho ao mesmo tempo em que o passado se
distanciava o futuro estava como o céu, cinza e carregado. O sentido das
coisas, já não podia ser mais sentido, um vazio sem fim ou forma, tomava conta
de todos os espaços, imobilizava as pernas e fazia da voz um sussurro, longe e
sem forças.
Já dentro da casa, também vazia, jaziam folhas
de jornal, uma coberta, algumas malas e um laptop, única ligação com a
humanidade. Tomada de frio e fome, um cansaço envolveu o que restava das minhas
forças e chorei. O som que saiu de dento de mim se assemelhava a dor de um
animal abatido e naquele momento toda dor, transbordou. Mesmo certa das
escolhas, estava despreparada física e emocionalmente para suas conseqüências.
Com ossos doloridos e já sem estômago, me vi ajoelhada, num pranto nunca dantes
sentido, a falar e caminhar desconsolada pelos aposentos,
murmurando palavras sem sentido, frases entrecortadas, acontecimentos
idos. Era um momento em que ansiava por respostas, o corpo por
alimento e a alma de conforto. Aquele que seria um passo pra caminhar em
frente, se transformará em um mar de frustrações, angustias, magoas e
desesperança. Cansada observei a falência do corpo e fui tomada por num sono
pesado e profundo. Minha última lembrança foi ter ouvido alguém falar que
Deus ouve nossas preces e orações, então pedi: Senhor socorro. Sem sonhos,
permaneci imóvel, não sei por quanto tempo.
No meu intimo uma suave presença
me embalava como nos tempos da infância, uma doce fragrância enchia o lugar,
assim meu coração se deixou aconchegar aquecido por esse milagre dos sentidos. Abri
o os olhos vagamente lembrei-me do ocorrido. Caminhei pela casa e senti um leve
mal estar, talvez fosse fome, entretanto a sensação de tranqüilidade era
palpável. Todo peso e angustia já não estavam mais ali ao alcance das mãos "Pois
a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode
persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria." E assim tem
sido desde então.
Ouso a dizer que Deus me
descobriu nesse instante ou o contrario como preferir.
Uma coisa é certa, no momento
que deixei você, não me dei conta que deixava a mim mesma. Teria de me
reinventar e só que também não me dei conta que isso seria muito dolorido.
“Você
não sabe o quanto eu caminhei para chegar até aqui.” Cidade Negra
T.
Uma vida em três atos
Ato 1 De trás pra frente
É impossível se manter incólume
de sensações, arrebatamentos e saudades, mais inverossímil ainda é não se
perguntar ou elucubrar respostas, mas, o que é fato é certo.
Ao som de Roberto Carlos, ao
fundo o aeroporto, cenário de tantas chegadas e partidas, seguida de montanhas
e um cheiro de criança adormecida. Como se manter serena, sem chorar ou sentir
dor?
O sol nasceu lindo e ao alcance das
mãos. Pela janela grandes nuvens descortinando um céu limpo e em branco, como
as folhas que se abriam diante dos meus olhos, assim que senti o avião tocar o
chão, ainda assim foi com turbulência que a madrugada foi atravessada. Sem
saber como aportar em um novo cais dentro do mesmo homem, entrar na carcaça desse
mesmo barco tendo outro marinheiro no comando. Tempo encoberto para vistas
acostumadas a esses mesmos mares, outrora tão fáceis de navegar. Disse Jesus a
seus discípulos numa noite chuvosa “Homens
de pouca fé” ( Lc 8:22 – 25).
Contrariando, inclusive a ANAC, o vôo
adiantou 20 minutos, que transtorno, não fosse isso à hora combinada você
estaria lá, de braços abertos e feliz, como vi poucas vezes a espera do nosso
pequeno presente.
Foi ameno, mas confesso meu
distanciamento em boa parte do tempo. Passado o idílio, sua vida nos chama a
realidade. Trabalho, planos, projetos, uma busca frenética, que em quatro anos
ainda não consegui descobrir pelo que é. Vi de perto onde esta sendo investido
seu fôlego e forças. Entre a preocupação em segurar o frisson do com os
jatos de água e observar a natural curiosidade de ver o pai mais de perto, observei o
trabalho, as formas de interagir, os comportamentos e as possibilidades que
podem surgir dali, por hora observar é minha tarefa, o mais o tempo vai fazê-lo
( Ec 3:1 e 17).
Coisa simples os gostos da vida, café
com leite e pão com queijo na chapa, coisas que só o sudeste pode oferecer. Uma
brecha e a curiosidade se fez presente, um coração de bem com vida e outro
morno, a refletir, de comum entre eles, só as inevitáveis conseqüências. Seus
olhos ainda me dizem algumas coisas e naquele inicio de manha manhã nada achei,
nem tristeza, nem empolgação, um horizonte vazio. Preferi me abster e me bastar
em mim e no delicioso pão a minha frente.
A vida segue seu curso, no seu caso
ela tem pressa, mas planos, mais projetos, mais, mais, mais, para você mais é
sempre mais. Senti o característico vento do seu vigor, a agilidade do seu
pensamento e as idéias brotando uma a uma no solo fértil da sua vontade persistente
de finalmente poder ser, ter, viver, respirar, apenas isso respirar sem pesos,
sem duvidas, sem tantas coisas e com tantas coisas. Ainda há um aniversario,
parte das carnes ficaram sob sua responsabilidade, como o carro a trocar e as
questões pessoais para temperar esse banquete que é você.
Finalmente chegamos. Família. Uma
injeção de carinho, amor e saudades. O semblante enternecido até dos mais
brutos, prova que é um presente Davi para todos nós. Amigos que mesmo a
distancia permanecem amigos, talvez por isso, sejam amigos.
O sol iluminava a casa e o domingo.
Tudo tão simples, pessoas reunidas para um almoço de domingo seguido de um bolo
de aniversario. Simples porque as crianças quando se encontram parece que foi
ontem brincaram pela ultima vez, estão livres e riam a valer. Simples porque
estar junto de quem à gente gosta e gosta da gente é simples. Tão simples que
toda turbulência do meu interior se esvaiu e ficou só o cansaço da viagem.
Simples assim, o amor cura as pessoas quando a gente se permite amar, aceitar e
viver a complexidade e a delicia das dores de ser quem a gente realmente é. Sem
cobranças e sem nada que não seja viver em Família. Foi importante viver esse
momento, não só para exorcizar mais também para me confirmar à necessidade de manter
as referencias que Davi precisa ter. Quer melhor?
Um burburinho e você me dizendo que
amanhã estaria aqui. Falar o que diante de tanto distanciamento. Se conhecesse
menos sua intrincada personalidade diria que sua aparente indiferença era real,
mas hoje quando falei sobre Davi e Tio Dandão, percebi seu pesar, foi de
propósito, confesso. Davi ali correndo, rindo, conversando, bebendo da família
que tanto o ama, todo sujo, fazendo xixi no jardim e colocando a mão no peito
de Carina sem a menor cerimônia. Deu-se o discreto falatório, mas o
posicionamento de conformismo é opressor, o sentimento de vazio da tarde
também.
T.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Retificação
A pizza, aquela que não embolorou, ficou 2 meses dentro do forno e não cinco ou seis meses.
Explicação: tenho um traço "atemporal" em minha personalidade.
T.
Explicação: tenho um traço "atemporal" em minha personalidade.
T.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
A invasão
Quando minha irmã se mudou de São Paulo
para Salvador, na confusão que é mudança, entre caixas e prazos, ela esqueceu
dentro do forno uma pizza. Já instalada em "terras de Jorge", um dia
ela se lembrou do acontecido, então vira e mexe a gente comentava, como
encontraríamos o tal pedaço de pizza quando a mudança chegasse. Passados cinco
ou seis meses não sei bem, finalmente a mudança deu o ar da graça. Lá estávamos
nós duas no meu portão, pra onde foram temporariamente suas coisas, a espera do
caminhão e da pizza claro. Desceu sofá, caixas de livros, geladeira, mais
livros e o fogão nada, outa caixa ela pulou logo, "la vem ele", que
nada, mais livros. De livro em livro, finalmente o fogão foi colocado no seu
cantinho da cozinha. Ficamos lá as duas, olhando o fogão com cara de
"ué", quando finalmente, minha irmã rasgou papel bolha e papelão e
abriu o forno. Lá estava ela, intacta, sem nenhum bolor, como se tivesse sido
colocada lá ontem mesmo. Foi um misto de surpresa e decepção. Surpresa por que
ela estava boa, até coradinha, imagine! Decepção, por que já tínhamos
imaginado todo tipo de elementos verdes saindo e pulando para fora do fogão
prontos para começar a tomar o Plante Terra.
Me lembrei dessa história, talvez eu quisesse ser aquela pizza. Fiquei
pensando como algumas coisas não se
transformam independente das intempéries por que passam.
Os últimos tempos
são recheados de coisas que me fizeram outra pessoa. Revi valores. Meu coração
ouviu outra canção. Meus olhos descobriram outras nuances nas mesmas paisagens,
interiormente me percebo outra pessoa, meu espelho também tem me mostrado
algumas diferenças.
Em momento de arrumação de malas, me pergunto como será, rever
lugares, pessoas e situações, assim tão diferente, lembrando que
não to falando de outra encarnação e sim de meses?
Não sei e isso me assusta. Confesso uma certa angustia e uma leve sensação
de “dejavú” me desagrada. Suspiro. Respiro.Oro.
Não há mais muito que eu possa fazer, as mudanças foram necessárias para
que eu sobrevivesse as intempéries, no mais, confiar no tempo e certamente nas
transformações que o mesmo deu a toda madeira que se dispõe a ser arte.
T.
Assinar:
Postagens (Atom)

